Estamos em plena Semana Mundial do Brincar. O fim de semana vai ser agitado com uma programação enorme de brincadeiras grátis em várias cidades do país. Fiquei empolgada pra levar o Luisinho em alguns eventos aqui de São Paulo – em um parquinho ao ar livre se o clima permitir, no Sesc se o tempo fechar. Fiquei feliz em pensar que o meu pequeno vai aprender a brincar com toooodas aquelas brincadeiras divertidas e inocentes que me divertiam quando eu era criança… esconde-esconde, pega-pega, cabra-cega, amarelinha e tantas outras, tantas, tantas… tantas? PERAÍ! “Acho que minha memória tá te traindo, Gisela”, ouço o meu subconsciente falar. Eu cresci jogando video-game e assistindo TV, essa é a verdade. É claro que brincava também dessas brincadeiras infantis, principalmente quando tinha amiguinhos e primos junto. Mas não era a regra. O normal, durante várias fases da minha infância e adolescência, era ser daquelas crianças viciadas que vai até o fundo do poço do vício tecnológico, pulando as refeições pra não ter que dar um stop na fase mais importante do jogo (que era sempre qualquer uma em que eu estivesse).
Não sei qual é a média de horas que uma criança hoje passa brincando longe de uma tela. Seria difícil medir, já que, se não tem um console portátil, têm joguinhos super divertidos a todo tempo no bolso dos pais. Na minha época, pelo menos quando estava fora de casa eu era obrigada automáticamente a brincar offline (até inventarem aqueles mini-games de Tetris enormes paraguaios que a gente comprava no camelô).
Acho bem importante criança correr, brincar solta por aí, de casinha, de faz-deconta, de qualquer brincadeira inventada, soltando o corpo e a criatividade. Mas não compartilho essa nostalgia de alguns pais e mães do “ah, no meu tempo era melhor”. Eu sei muito bem o que eu adoraria ter quando era criança: um iPad! Teria pirado com um. (ok, meu Phanton System também me fez muito feliz, não cuspo no prato que comi). O fundamental é que os adultos dividam o tempo das crianças entre uma atividade e outra. Por que elas não conseguem fazer isso por conta própria.
“Ah, mas se ele puder escolher, vai querer ficar só na frente da TV, né…”. Então… não pode escolher. Essa foi uma discussão bacana que surgiu numa palestra organizada pelo Comer Para Crescer com o educador Marcelo Cunha Bueno que rolou na semana passada. Às vezes é difícil pra gente ter que ficar de carrasco administrando as atividades das crianças. Mas não tem jeito, é nosso papel, elas precisam da gente pra isso. Não quer desligar a TV depois das 2 horas estipuladas por dia? É aí que você entra na história e desliga pra ela. Esconde o controle. Põe senha, codifica. Joga pela janela (e depois compra outra, sua milionária). As crianças não sabem ainda o que é bom pra elas e raras delas tem capacidade de administrar o próprio tempo (até onde eu sei, essa é uma tarefa que até os adultos têm dificuldades de fazer). Então a gente tem que ir lá e fazer isso por elas. Mesmo que doa. Mesmo que a gente se sinta a chata do pedaço (e somos mesmo, fazer o quê). Paciência. Entrar no mundo offline é mesmo difícil.
Minha felicidade é saber que eu nasci em uma época com opções. Até onde eu sei, brincar de esconde-esconde não é proibido, então eu posso desligar o tablet e correr pela casa. Mas que bom que o tablet existe e também é uma opção. Às vezes a gente passa muito tempo ocupada, trabalhando, fazendo mil coisas e não tem tempo nem criatividade para se lembrar de todas as opções de brincadeiras que a gente conhecia e ensiná-las pros nossos filhos.
Por isso, na briga entre as brincadeiras antigas e as novas, quem ganha é… as duas! [Nota pessoal: quando eu era criança, odiava que todas as brincadeiras organizadas pelo meu pai terminavam em empate. Mas fazer o quê, se às vezes na vida é assim mesmo?]
Graças à própria tecnologia, temos hoje uma arma até mais poderosa do que o poder de sedução dos smartphones sobre nossos pequenos: a informação. Os pais de hoje (nós!) têm mais fontes e sabem cada vez mais a importância da brincadeira, por isso estimulam mais esses momentos. Ou pelo menos deveriam. É tão fácil ler um dos milhares de blogs legais que existem e receber a dica certa…
Então olha que bacana: você pode usar o tablet ou o computador para pesquisar brincadeiras tradicionais e se divertir offline com o seu filho. Gosto muito desse infográfico da Folhinha com brincadeiras regionais do Brasil, o Mapa do Brincar. E desse especial aqui do IG Delas, com 100 brincadeiras para crianças de várias idades.
Então, com uma ajudinha da tecnologia, bom fim de semana da brincadeira pra vocês! =)




















